
A arte aborígene baseia-se em histórias e tradições sobre a criação do mundo, segundo as quais os criadores ancestrais teriam criado as pessoas, a flora, a fauna, as massas terrestres e os corpos celestiais ao longo de viagens épicas. O sistema de convicções dos aborígenes é mantido vivo através de práticas cerimoniais, que guiam e ditam costumes e leis, ao mesmo tempo que reafirmam crenças espirituais.
Este conceito é denominado por “Sonho” (“the Dreaming”). Este sistema de convicções tem como base a interdependência entre a terra e os seus povos.
Ao invés de muita da arte ocidental, a arte aborígene não é concebida a partir de um tema perceptível, não se aplicando tão-pouco a noção ocidental de estética, nem a do desejo do artista de comunicar emoções, pensamentos, observações ou comentários de uma forma altamente individual. Segundo a lei aborígene, um artista apenas está autorizado a retratar as imagens e histórias às quais tem direito pelo nascimento.
Para alguns, o importante é a história na origem do trabalho, para outros, o que predomina é o impacto visual da obra. É esta combinação de um forte sentido pictórico, uso apurado da cor ou textura de uma superfície, relação espacial alicerçada numa ligação intangível porém omnipresente com a terra, os criadores e suas histórias, e os direitos e interacção do artista a/com tudo isto, que dão à arte aborígene uma qualidade e poder únicos.
Geraldo de Jesus